O Carteiro e o Poeta

Gênero: Drama.
Atores: Massimo Troisi, Philippe Noirete, Maria Grazia Cucinotta Linda Moretti, Renato Scarpa, Anna Bonaiuto, Mariano Rigillo e Sergio Solli.
Diretor: Michael Radford.
Idiomas: Italiano.
Legendas: Português, Inglês, Espanhol.
Ano de produção: 1994.
País de produção: Itália, Bélgica, França.
Duração: 116 min.
Distribuição: Buena Vista Home Vídeo.
Região: 4.
Áudio: Dolby Digital 2.0.
Vídeo: Widescreen (4x3).
Cor: Colorido.
Censura: Livre.

Mário (Massimo Troisi) é o habitante de uma pequena ilha mediterrânea, na costa italiana, cuja perspectiva de vida é a mesma de todos os jovens: tornarem-se pescadores assim como são seus pais e foram seus descendentes anteriores. Querendo mudar esse destino acaba conseguindo um emprego de carteiro extra, cujo único cliente é apenas o exilado político Pablo Neruda (Philippe Noiret), que se muda para a ilha. Aos poucos extrapola o limite de seu emprego e de carteiro particular passa a ter uma amizade com o poeta e acredita que o mesmo possa ajudá-lo a conquistar o coração do amor de sua vida. Aos poucos, o quase analfabeto Mário passa a descobrir o valor e a eficácia da palavra.

O Carteiro e o Poeta foi baseado no livro Ardiente Paciencia (1985), do escritor chileno Antonio Skármeta, cuja primeira edição brasileira teve o mesmo nome do filme. Há aspectos filosóficos no processo da descoberta da verdade, através da utilização de meios dialéticos platônicos e socráticos. Mário, que é quem deveria cumprir seu trabalho de levar as informações de forma segura a seu destinatário acaba por ser o receptor de preciosas informações. Neruda acaba por ser quem representa um profissional, como se fosse um professor diferente do tradicional, que não se intimida a arriscar por caminhos diferenciados, usando novas técnicas, para tentar levar informações e ensinar algo sobre a poesia e a vida para Mário. A relação que se estabelece entre os dois é de uma amizade que gera, espontaneamente, o doce sabor da poesia de viver. O enredo é muito bem elaborado e recheado de metáforas, explicadas em detalhes por Neruda, e de belíssimas poesias (textuais ou não). A fotografia do filme é fascinante, já que os cenários apresentam uma Itália deslumbrante e são um olhar poético sobre a beleza da natureza, que em alguns trechos do filme serve como inspiração e exemplo de poesia. As atuações são simples porém eficientes para o tema que se propõe. Trata-se de um filme poético acerca da própria poesia, com uma carga literária que emociona ao mostrar a simplicidade do ato de ver a vida sob outras perspectivas. A palavra assume uma função de poder que proporciona conquistar amores e mudar realidades. Chama a atenção, quando Mario se apropria de um poema de Neruda, a sua justificativa de que “a poesia não pertence àqueles que escrevem, mas sim àqueles que precisam dela”. Há o tema do preconceito, seja em relação aos analfabetos, que não recebem cartas como analisa Mário no começo do filme, ou seja em relação à linguagem e à forma de expressão do poeta em relação ao meio em que se encontra (o padre e a tia da noiva de Mário). O amor, base de qualquer relacionamento, é brilhantemente exposto em palavras. O ritmo do filme é o mesmo da contemplação observativa proposta pelo poeta, agradavelmente leve e prazeroso. Curioso o fato de que Massimo Troise passou anos tentando realizar o projeto do filme e, da mesma forma que seu personagem não chega a conhecer seu filho Pablito e nem volta a rever seu amigo Pablo, não chegou a ver seu filme pronto, já que veio a falecer poucas horas depois de terem sido concluídas a filmagem. Assim como propõe o filme, que se deve observar a realidade e dela tirar as imagens, as metáforas, a vida acaba por imitar a arte. As lições belíssimas que ficam é que a poesia é espontânea, natural, envolta em sentimentos e percepções.